Havia certa vez um filhote de elefante que escutou alguém dizer “olhem, ali vai um rato”.
A pessoa que o disse estava realmente vendo uma rato, mas o elefante pensou que estavam se referindo a ele.
Haviam muito poucos ratos naquele país e, em todo caso, preferiam ficar em seus esconderijos e suas vozes não eram muito fortes. Mas o filhote de elefante gritou por todas as partes, maravilhado por sua descoberta: “sou um rato”.
Disse-o tão forte, tão frequentemente e a tantas pessoas que, acreditem ou não, na atualidade existe um país no qual quase todas as pessoas creem que os elefantes e particularmente os filhotes de elefante, são ratos.
É verdade que, de tempos em tempos, os ratos tem tentado argumentar com aqueles que sustentam a crença das maiorias, mas sempre se lhes têm feito fugir.
Traduzido do livro “Sabiduria de los Idiotas”,
Idries Shah,
publicado pelas Edições Tarika, México em setembro de 1987