{"id":595,"date":"2024-12-08T06:49:20","date_gmt":"2024-12-08T09:49:20","guid":{"rendered":"http:\/\/joaodebarro.blog.br\/site\/?p=595"},"modified":"2024-12-08T06:49:56","modified_gmt":"2024-12-08T09:49:56","slug":"o-cavaleiro-e-a-serpente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joaodebarro.blog.br\/site\/contos-sufis\/o-cavaleiro-e-a-serpente\/","title":{"rendered":"O cavaleiro e a serpente"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe um prov\u00e9rbio que diz: &#8220;A &#8216;oposi\u00e7\u00e3o&#8217; do homem instru\u00eddo \u00e9 melhor que o &#8216;apoio&#8217; do tolo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu, Salim Abdali, atesto ser isto certo tanto nos n\u00edveis mais elevados da exist\u00eancia, como nos mais baixos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal constata\u00e7\u00e3o se faz mais evidente na tradi\u00e7\u00e3o dos S\u00e1bios, que vieram a difundir a hist\u00f3ria do Cavaleiro e da Serpente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um cavaleiro, do alto de sua privilegiada posi\u00e7\u00e3o, viu como uma serpente venenosa se insinuava garganta adentro de um homem adormecido. O cavaleiro sabia que se deixasse aquele homem dormir, certamente o veneno o mataria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sendo assim, sacudiu com for\u00e7a o dorminhoco at\u00e9 despert\u00e1-lo. Sem perda de tempo, obrigou-o a ir a um lugar onde havia v\u00e1rias ma\u00e7\u00e3s apodrecidas, jogadas ao solo, e o for\u00e7ou a com\u00ea-las. Depois, fez com que ele bebesse grandes goles d&#8217;\u00e1gua de um riacho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto isso acontecia, o homem tentava escapar, gritando:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211; Que fiz, inimigo da humanidade, para que abuse de mim desta maneira?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Finalmente, quando j\u00e1 estava quase exausto e ca\u00eda a noite, o homem deixou-se cair ao ch\u00e3o e a\u00ed vomitou as ma\u00e7\u00e3s, a \u00e1gua e a serpente. Quando viu o que havia expelido compreendeu o ocorrido, pedindo perd\u00e3o ao cavaleiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta \u00e9 a nossa condi\u00e7\u00e3o. Ao ler estas linhas, n\u00e3o tomem hist\u00f3ria por alegoria, nem alegoria por hist\u00f3ria. Os que s\u00e3o dotados de conhecimento tem responsabilidade. Aquele que carecem de conhecimento, nada possuem al\u00e9m de conjecturas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O homem que foi salvo disse:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211; Se voc\u00ea me tivesse dito o que ocorria, eu teria aceito seu tratamento de bom grado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211; Se eu lhe contasse ent\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o teria acreditado. Ou ficaria paralisado pelo terror. Ou teria fugido. Ou mergulharia no sono de novo, buscando esquecer. E a\u00ed n\u00e3o haveria tempo para salv\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s dizer tais palavras, o cavaleiro esporeou sua montaria e desapareceu.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Salim Abdali (1700-1765) fez com que reca\u00edssem sobre os sufis cal\u00fanias quase sem precedentes oriundas dos intelectuais, ao afirmar que um mestre sufi conhece o que h\u00e1 de errado com um homem, e tem que agir r\u00e1pida e paradoxalmente para salv\u00e1-lo, despertando assim a f\u00faria daqueles que n\u00e3o sabem o que est\u00e1 fazendo. Abdali cita essa hist\u00f3ria de Rumi. Ainda hoje, talvez haja pessoas que n\u00e3o aceitam as id\u00e9ias contidas neste conto. No entanto, o enunciado de Abdali tem sido aceito, de uma forma ou de outra, por todos os sufis.<br>Ao comentar a quest\u00e3o, o mestre Haidar Gul diz simplesmente: &#8220;H\u00e1 um limite al\u00e9m do qual n\u00e3o \u00e9 salutar para o g\u00eanero humano ocultar a verdade a fim de n\u00e3o ofender com a mesma aqueles cuja mente est\u00e1 fechada&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-background has-small-font-size wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#f2f2f2\">Extra\u00eddo de &#8216;Hist\u00f3rias dos Dervixes&#8217;<br>Idries Shah<br>Nova Fronteira 1976<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existe um prov\u00e9rbio que diz: &#8220;A &#8216;oposi\u00e7\u00e3o&#8217; do homem instru\u00eddo \u00e9 melhor que o &#8216;apoio&#8217; do tolo&#8221;. Eu, Salim Abdali, atesto ser isto certo tanto nos n\u00edveis mais elevados da exist\u00eancia, como nos mais baixos. Tal constata\u00e7\u00e3o se faz mais evidente na tradi\u00e7\u00e3o dos S\u00e1bios, que vieram a difundir a hist\u00f3ria do Cavaleiro e da&hellip;&nbsp;<a href=\"https:\/\/joaodebarro.blog.br\/site\/contos-sufis\/o-cavaleiro-e-a-serpente\/\" rel=\"bookmark\">Continue a ler &raquo;<span class=\"screen-reader-text\">O cavaleiro e a serpente<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":596,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"neve_meta_sidebar":"","neve_meta_container":"","neve_meta_enable_content_width":"","neve_meta_content_width":0,"neve_meta_title_alignment":"","neve_meta_author_avatar":"","neve_post_elements_order":"","neve_meta_disable_header":"","neve_meta_disable_footer":"","neve_meta_disable_title":"","footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-595","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-contos-sufis"],"featured_image_src":"https:\/\/joaodebarro.blog.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/SaoJorge.jpg","author_info":{"display_name":"joao-de-barro","author_link":"https:\/\/joaodebarro.blog.br\/site\/author\/jgrolim\/"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/joaodebarro.blog.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/595","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/joaodebarro.blog.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/joaodebarro.blog.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaodebarro.blog.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaodebarro.blog.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=595"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/joaodebarro.blog.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/595\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":597,"href":"https:\/\/joaodebarro.blog.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/595\/revisions\/597"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/joaodebarro.blog.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/596"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/joaodebarro.blog.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=595"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaodebarro.blog.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=595"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/joaodebarro.blog.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=595"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}